Síndrome femoropatelar
Essa lesão também pode ser encontrada na literatura como “joelho de corredor”, apesar de alguns autores sugerirem a utilização desse termo para a síndrome da banda iliotibial. A explicação mais aceita para a etiologia da síndrome femoropatelar é a alteração do deslizamento patelar no sulco troclear que diante de grandes cargas compressivas causadas pela contração do músculo quadríceps femoral levaria a um aumento do estresse na articulação, causando uma lesão degenerativa da cartilagem articular que reveste a superfície interna da patela.
O quadro clínico se caracteriza por dor difusa e insidiosa anterior no joelho, dor no teste de compressão patelar, dor para subir e/ou descer escadas, dor durante o agachamento, dor ao movimentar o joelho depois de ficar por um tempo prolongado em sedestação, dor na posição ajoelhada, crepitação da articulação, edema e sensação de deslocamento da patela (teste de apreensão patelar) . O tratamento conservador é baseado em recursos analgésicos e exercícios da musculatura do joelho e do quadril (principalmente abdutores e rotadores externos).
A crioterapia, mobilização articular de joelho e o ultrassom terapêutico podem ser utilizados na fase inicial para diminuição da dor, apesar de alguns estudos não sustentarem a utilização do ultrassom. A redução ou modificação da atividade física que gera a dor é parte integrante e fundamental da terapia.
Exercícios para a musculatura extensora do joelho são recomendados, porém, para atividades com descarga de peso (cadeia cinética fechada) são recomendados exercícios com amplitude de movimento (ADM) entre 0o a 45o de flexão de joelho, e para os exercícios sem descarga de peso (cadeia cinética aberta) são recomendados exercícios com ADM a partir de 45o até 90o de flexão de joelho. O fortalecimento de quadríceps femoral associado à eletroestimulação do vasto medial oblíquo (VMO) não é melhor do que realizar apenas o fortalecimento segundo a literatura.
Uma série de casos demonstrou que o tratamento baseado na modificação do padrão de aterrissagem do pé no solo de corredores de retropé para mediopé e antepé foi eficaz na redução da dor e melhora da função. Após alguns anos de tratamento conservador pode ser indicada a cirurgia, com procedimentos de desbridamento patelar, liberação do retináculo lateral ou realinhamento do mecanismo extensor.